Dividir para conquistar

não canso de falar mal do correio braziliense e o jornal não me dá motivos para parar. na edição de hoje, o jornaleco noticiou a mudança no discurso do governo temer sobre as vaias que tem recebido. a mudança em si é uma jogada de marketing sagaz. o governo que antes minimizava os protestos dizendo que eram uns 40 manifestantes, ou 18 pessoas vaiando, agora divide os manifestantes em dois grupos (estratégia velha): os petistas de orgulho ferido pelo impedimento da dilma, e os insatisfeitos com a economia que seriam, segundo o periódico, “pessoas que sofrem com a crise econômica”. Seguindo essa nova narrativa, o primeiro grupo não apoiaria o governo sob nenhuma condição, enquanto o segundo não teria restrições ideológicas, podendo ser atraído pelos resultados econômicos. e aí entra a esperteza desse discurso.

marlene
40 pessoas reunidas em ato na cidade de São Paulo

a categorização permite ao governo desqualificar parte dos protestos e ao mesmo tempo capitalizar as manifestações contrárias ao governo para justificar as medidas de austeridade econômica. em termos mais diretos, a expressão da oposição não é racional nem justificada, tratando-se apenas da pura disputa por poder institucional. formulação destinada a minar a legitimidade dos protestos, além de seu caráter popular. por outro lado, a categoria considera legítima seria a prova da necessidade de ajustes fiscais com o corte de direitos.

demonstrando o apoio irrestrito que o diários associados tem oferecido ao governo golpista, o correio braziliense afirma que “apurou” a presença do primeiro grupo de manifestantes nos atos do 7 de setembro. duas coisas demanda atenção nessa afirmação. antes de tudo, o jornal assume sem crítica a dicotomia criada pelo governo  e que o próprio jornal reconhece ser uma mudança de narrativa. em segundo lugar, cabe questionar em que consistiu essa apuração. qual o método utilizado? foram feitas entrevistas? que perguntas determinavam o enquadramento do manifestante em uma categoria ou na outra? o uso de verbos relacionados à pesquisa quantitativa como esse apurar, sem a apresentação dos meios de investigação é um sinal da falta de fundamentação da afirmação e da tentativa de conferir objetividade a um dado completamente forjado.

novamente o governo promove clivagens artificiais entre a oposição, constrói uma falsa dicotomia entre nós e eles em uma reencenação do dividir para conquistar. e não surpreende que a mídia sirva como linha auxiliar nesse processo. o correio só reafirma sua vocação como panfleto da direita institucional.

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